O Alto Alentejo é uma das 5 sub-regiões que fazem parte integrante da NUTS II Alentejo. Com uma dimensão geográfica de 6.084,4 km2 e uma população residente de 116.244 habitantes (dados estimados de 2006 - INE), esta sub-região situa-se no norte da região Alentejo e inclui 15 Concelhos (Alter do Chão, Arronches, Avis, Campo Maior, Castelo de Vide, Crato, Elvas, Fronteira, Gavião, Marvão, Monforte, Nisa, Mora, Ponte de Sôr, Portalegre). O Alto Alentejo ocupa 7% do território nacional e 17% da área total da região Alentejo. A análise será efectuada tendo em conta o Concelho de Sousel, que a nível distrital se inclui no Distrito de Portalegre.
De modo global, o Alto Alentejo apresenta-se como um dos territórios com menor dinâmica a nível regional. Considerando, os estudos realizados pelo consórcio liderado pela Augusto Mateus e Associados (2005) , o Alto Alentejo ocupa o 17.º lugar no ranking global das regiões portuguesas no período 2000-2002, ficando atrás do Alentejo Central e do Alentejo Litoral, situando-se no entanto á frente do Baixo Alentejo.
A região do Alto Alentejo (17ª no ranking) posiciona-se no grupo das regiões intermédias, e a região do Baixo Alentejo evidencia o comportamento mais débil no seio da região do Alentejo (22ª no ranking), sendo colocada no grupo das regiões menos desenvolvidas.
A análise pormenorizada deste ranking permite verificar que esta sub-região é a que, no conjunto do Alentejo, apresenta um comportamento mais negativo em termos de competitividade económica, ficando apenas o Baixo Alentejo numa posição mais débil.
No plano da competitividade, a região do Alentejo evidencia uma vulnerabilidade significativa, com um nível de competitividade que corresponde a cerca de 56,4% da média nacional, o que lhe confere um dos mais débeis posicionamentos à escala nacional. As sub-regiões menos competitivas são o Alto Alentejo (21ª no ranking) e o Baixo Alentejo (26ª no ranking), ambas com um registo competitivo inferior ao seu registo global, tendo em conta que os seus posicionamentos no ranking global de competitividade e coesão territorial beneficiam dos seus desempenhos relativamente mais favoráveis em matéria de coesão.
A região Alentejo constitui-se como a maior região de Portugal. Com uma área total de 31.551 Km2, o Alentejo é simultaneamente a região com menor densidade populacional: apenas 24,2 habitantes por Km2, residentes, na sua maioria, em lugares até 5.000 habitantes.
O Alto Alentejo caracteriza-se por ser um território de baixa densidade populacional (19,1 hab/ km2). A região apresenta pouco mais de um quarto da população em aglomerados com mais de 5000 habitantes e a restante população dispersa em lugares de pequena dimensão distribuídos pelo território. Salienta-se assim a concentração de efectivos populacionais nos principais aglomerados urbanos, em particular nas sedes de concelho que são cidades, e por alguma baixa densidade populacional nos restantes aglomerados.
A evolução da densidade populacional entre 2001 e 2006 pauta-se por uma tendência descendente em todas as NUTS III do Alentejo, com excepção para a Lezíria do Tejo, que apresenta um crescimento ligeiro. Associado a este decréscimo está o fenómeno de desertificação vivido na Região Alentejo desde a década de 70.
No que respeita à população residente nos concelhos do Alto Alentejo, verifica-se que aqueles que apresentam mais população são, Portalegre, Elvas e Ponte de Sôr. De seguida Campo Maior e Nisa são os concelhos com mais população residente, destacando-se Monforte como o menos populoso. Todos os restantes concelhos apresentam valores muito homogéneos em relação á população residente (dentro dos 3000 habitantes). No entanto, se for analisada a evolução populacional ocorrida entre o ano de 2001 e 2006 verifica-se que em todos os Concelhos do Alto Alentejo, sem excepção, houve um decréscimo da população. O Concelho de Campo Maior é aquele que regista a menor diminuição de população neste período. Este factor poderá estar ligado à dinâmica empresarial e económica deste Concelho associada ao Grupo Nabeiro e também ao facto de ser um Concelho transfronteiriço. Conclui-se deste modo que o Alto Alentejo, segue a tendência da generalidade da Região Alentejo, apresentando uma dinâmica populacional negativa , mas ainda assim com uma taxa de crescimento ligeiramente favorável em relação à média regional, o que poderá indicar que haverá Concelhos que apresentam alguma capacidade de crescimento e manutenção da população.
A competitividade é um conceito que tem vindo a generalizar-se num conjunto de diferentes estudos do contexto sócio económico dos territórios. Não obstante, este conceito apresenta um carácter relativamente complexo, integrando diferentes dimensões de análise da esfera empresarial e das políticas públicas, ao nível regional, nacional e internacional e comportando em si mesmo um leque complexo de indicadores de suporte que dão resposta a cada uma destas vertentes.
À semelhança do que acontece com o Alentejo, o Alto Alentejo registou uma evolução positiva entre 1995 e 2005, período em que o seu Produto Interno Bruto aumentou.O Alto Alentejo segue deste modo a tendência regional e nacional de crescimento do Produto Interno Bruto, no entanto em relação às restantes sub regiões do Alentejo é aquela que apresenta o menor peso relativo no PIB, a par do Baixo Alentejo.
O tecido empresarial do Alto Alentejo é marcado por uma predominância de Micro e PME´S, sendo estas essencialmente empresas constituídas em nome individual com uma gestão em geral de nível familiar e sobretudo direccionado para os mercados locais e regionais, verificando-se um maior número de empresas em detrimento da constituição de Sociedades. Este factor pode advir da tendência dos empresários se constituírem fundamentalmente enquanto empresários em nome individual, o que acontece por diversas razões, entre as quais a falta de informação generalizada relativamente às vantagens resultantes da constituição de uma sociedade face a uma empresa em nome individual, assim como a facilidade e celeridade que ao longo dos últimos anos foi atribuída à constituição de uma empresa em nome individual.
Verifica-se ainda uma forte dependência do sector público, em termos de emprego o que denota a debilidade da estrutura empresarial da região que apresenta fracos índices de Empreendedorismo e uma débil cultura de risco. Existiam no Alto Alentejo em 2006, cerca de 12.673 empresas, sendo esta a sub-região do Alentejo que apresenta um menor número de empresas. A maioria delas encontra-se localizada nos Concelhos de Portalegre, Elvas e Ponte de Sôr (as 3 cidades do Norte Alentejano). Logo de seguida Nisa, Sousel e Campo Maior apresentam os valores mais elevados. Os Concelhos onde existe um menor número de empresas são Arronches e Monforte.
Podemos verificar que a densidade de estabelecimentos por km2 é bastante diminuta, quer na região Alentejo quer na sub-região do Alto Alentejo. Á excepção dos Concelhos de Elvas, Campo Maior e Portalegre, todos os outros Concelhos do Norte Alentejano revelam valores inferiores aos da região Alentejo. Verifica-se ainda que existe uma grande proporção de estabelecimentos com menos de 10 pessoas ao serviço, o que reforça a ideia de que a maioria das empresas existentes quer no Alentejo quer no Alto Alentejo são micro empresas ou seja empresas de pequena dimensão.
Trata-se portanto de uma sub região que apresenta uma malha empresarial constituída, para além das empresas de micro e pequena dimensão, por um conjunto de empresas com alguma dimensão no contexto regional, sendo de destacar como sectores mais dinâmicos a indústria aeronáutica e automóvel, a cortiça e derivados, e o sector agro-alimentar. O nível das taxas de constituição e de dissolução de empresas podemos dizer que ao nível da sub região Alto Alentejo verifica-se uma taxa de dissolução baixa em relação aos valores apresentados pelas restantes sub regiões do Alentejo e uma taxa relativamente alta de constituição de empresas, factor indicativo que poderá haver alguma estabilidade ao nível das empresas que se constituem.